MPCS-IV -
UNIVILLE – JOINVILLE – SC -
MEMÓRIA E IDENTIDADE
Professoras: Drª Ilanil
Coelho e Drª Raquel Venera. ALUNO: Jailson Estevão dos Santos
FICHAMENTO:
HARTOG, François. Tempo
e Patrimônio. Varia História, Belo Hozizonte, vol 22 nº 36: p. 261-273, jul/dez
2006
1º Leitura
Exploratória.
2º) Resumo geral:
Discute a redefinição da “memória” e do “patrimônio” dentro do novo “regime de
historicidade” e trabalha o conceito de presentismo.
3º) Conteúdo:
Resumo: O autor apresenta um novo conceito de “tempo
presente” a partir do conceito de Regime de Historicidade – a história vista
como linear.
Página 262 2º § - É usado o termo “presentismo”
para conceituar tempo presente visando a atingir, para tal, um significado de
onipresença.
Página 262 3º § - Cita-se o exemplo da história
profissional francesa, a qual também se insere no mesmo contexto de histórias
de crimes contra a humanidade e marcada pela imprescritibilidade.
Página 262 4º § - O autor afirma que a noção de
“regime de historicidade” lhe pareceu mais viável para trabalhar o
“presentismo”. Faz um rápido apanhado dos seus fundamentos sobre o RH, com base
nas ideias de Marshal Sahlins (Antropólogo americano que defendeu a teoria do
avanço unilinear das sociedades, contrapondo-se ao conceito de avanço
multilinear), e Claude Lévi Strauss com a noção de “sociedades quentes e frias”
(historicamente engajadas, ou não). Apreende os fatos do passado, presentes
aqui e agora, por exemplo, de povos autóctones do pacífico.
Página 263 2º § - Evoca o alemão Heinhart
Koselleck que pesquisou as categorias meta-históricas da “experiência” e da
“espera” analisando as tensões e modos de articulação entre presente, passado e
futuro, e como essas são postas em relação.
Página 263 3º § Sugere-se, então, uma relação com
a antropologia histórica, e a compreensão do RH em duas formas:
a) Numa
acepção restrita, como uma sociedade trata seu passado.b) Numa acepção mais ampla apela para uma “consciência de si e de uma comunidade humana”
Em Paul Ricoer a filosofia da história traça o que ele
chama de “a condição de ser histórico” (p. 263 4º §). Na abordagem de François
Hartog foca-se a diversidade do RH”.
Página 264 – É citado o exemplo do Muro de Berlim.
Ele foi derrubado, mas “seria evidentemente falso dizer que ele tinha se congelado”
(1º §), a história está viva, presente e fluente: no Muro, em sua queda e no
espaço pós derrubada.
Como afirma Hans Scharoun: “Não se pode ao mesmo tempo
construir uma sociedade nova e reconstruir os prédios antigos”. Nesse sentido
Berlim se tornou uma cidade emblemática, um ícone de Memória e Identidade. (p.
264. 3º §)
Memória e Identidade parecem estar sempre em relação com
o regime de historicidade. Um resgate constante do fluxo de informações entre
passado, presente e futuro. Daí a questão: Um novo RH, centrado sobre o
presente, estaria se formulando? (p. 265. 2º§)
Que significados adquirem ao longo do tempo o foco
centrado no patrimônio enquanto apontando para memórias do passado, se este, já
há algum tempo reclama um ajuste ao regime moderno apontando para o futuro? (p.
265 3º §)
O patrimônio se impôs como categoria dominante:- Na
França entre 1983 e 2002 foram mais de onze milhões de visitantes.
- As
convenções da UNESCO incentivam a universalização do patrimônio
- Uma
Escola Nacional do Patrimônio encarregada de formar os futuros
conservadores, funciona desde 1991 em Paris.
- Existe
desde 1996 um Fundação do Patrimônio
- Discussões
sobre o Patrimônio são organizadas desde 1984 pela direção do Patrimônio
no Ministério da Cultura. (p. 265)
Nesta nova configuração, Patrimônio e Memória operam como
vetores de identidade. (p.2663º §)
(p. 266 4º §) A partir daqui é citado o exemplo do
Japão cujas leis, desde 1871, introduzem a noção de “tesouro nacional”, em que
a palavra tesouro aponta para o aspecto imaterial (origem divina), até à lei de
1950, quando pela primeira vez aparece o conceito de patrimônio cultural
intangível.
Duas particularidades:
1)
É prevista a reconstrução periódica
de certos edifícios religiosos. (Nesse caso, o dilema ocidental: “conservar ou
restaurar”, não existe)
A
lógica japonesa é a da atualização dos patrimônios. (p. 267 2º§)
2)
No Japão é dada a designação de
“tesouro nacional vivo” a indivíduos ou grupos, que possuidores de um
patrimônio intangível, comprometem-se a transmiti-lo. (lei de 1950).
Portanto,
as noções de “original”, “cópia”, “autenticidade”, não são portadoras dos
mesmos valores no Japão.
No
decorrer dos anos então aumenta-se o foco em torno do patrimônio e da memória
pelo que foi preciso estipular “que nenhuma obra de arquiteto vivo seria
considerada como monumento histórico”. “Isto é um indício muito claro deste
presente que se historiciza”. (p. 268 2º §)
A
questão do tema dos patrimônios e do jogo do tempo está claro na preocupação
que aparece na concepção de monumento histórico que sofre alterações, entre a
Carta de Atenas (1931) e a Carta de Veneza (1964), as quais discutem: o que
preservar, e por que preservar? (p. 268 3º §)
A
partir dessas noções, legislações e discussões os patrimônios se multicaram; Já
estão arrolados:
1)
O “patrimônio cultural protegido”;
2)
O “patrimônio cultural de proximidade”
(Conjunto territorial);
3)
O “patrimônio natural”;
4)
O “patrimônio vivo”;
5)
O “patrimônio imaterial”;
sem falar nos termos “patrimônio genético” e
“ético” que já começam a circular. (p. 269 1º§)
A
inserção do conceito histórico na noção de monumento é um avanço entre a Carta
de Atenas para a Restauração dos Monumentos Históricos e a Carta de Veneza.
Essa última afirma no art. 1º: “A noção de monumento histórico inclui a criação
arquitetural isolada assim como o sítio urbano ou rural que traz o testemunho
de uma civilização particular, de uma evolução significativa ou de um evento histórico.
Ele se estende não somente às grandes criações, mas também às obras modestas
que adquiriram com o tempo uma significação cultural”. (p. 269 2º§)
O
século XX foi o que mais invocou o futuro e o que deu maior extensão à
categoria do presente (mesmo em busca de raízes, obsecado pela memória).
“Daí
vem este olhar museológico lançado sobre o que nos cerca. Nós gostaríamos de
preparar, a partir de hoje, o museu de amanhã e reunir os arquivos de hoje como
se fossem já ontem, tomados que estamos entre amnésia e a vontade de nada
esquecer”.
Um
exemplo claro do aproveitamento presente é a mercantilização da derrubada do
Muro de Berlim seguida de sua museificação instantânea. (Selo: Original Berlim
Mauer) (p. 271 2º§)
Outro
componente importante nessa abordagem com vistas ao Regime de Historicidade é a
patrimonialização do meio ambiente. Desde a Conferência de 1972 nota-se que as
leis internacionais se dão conta da necessidade da universalização do
patrimônio ambiental por causa da tendência de destruição do mesmo. Isso diz
respeito ao passado, ao presente e consequentemente ao futuro. (p. 271 3º§)
Então
fazer o patrimônio cultural dialogar com os seus regimes de temporalidade, nos
conduz do passado ao futuro por um presente que ao que tudo parece luta-se para
não querer passar.
Observações
finais: Dialogar com Choay, Françoise. Alegoria do
Patrimônio (ex. pg.237, 253). Le Goff, Jackes. História e memória. (ex. p. 472). Nora, Pierre. A problemática
dos lugares.
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